Saber ser sozinho

Sempre privilegiei a minha relação comigo mesma, às vezes nem sempre pelos melhores motivos.
Fui sempre retraída e desconfiada porque, depois de uma infância cheia de amor e mimo, a família apartou-se e eu tive de viver muitos processos emocionais de abandono sozinha.
Toda a vida achei que só podia depender de mim porque eu tive de ser cheerleader de mim mesma.
Ainda hoje batalho comigo quando sou alvo de atenção e carinho – e talvez por isso me esconda, porque não sei como agir quando tenho o foco sobre mim.
Trabalho numa empresa pequena em que nos damos bem mas, tal como em milhares de outras empresas, somos apenas máquinas, temos de estar sempre bem e a sorrir. Ninguém nos pergunta “como é que te sentes? precisas de alguma coisa?”.
Até aqui sou eu que, sozinha, tenho de interromper um “momento de cura”, em que precisava de recolhimento, para ter de fechar o coração e ligar o piloto automático de “boa profissional”.
Se trabalhas por conta de outrem aposto que já te sentiste assim também, não?
Este pode bem ser o lado mais frágil do “ser sozinho”, que é sentir mágoa por ter feito o caminho sozinha e raiva por ter de ser forte.
Quando temos uma boa relação connosco, sabemos que todo o mundo nos pode falhar, menos nós.
E se for realmente uma relação saudável, sabemos que estamos sós mas não rejeitamos o mundo lá fora, nem nos refugiamos numa bolha de desconfiança, nem sentimos rancor ou raiva. Apenas amor, por nós e por quem nos falhou.

Vivo para escrever. Adoro puzzles e mistérios. Não passo sem um cafézinho, música e uma boa dose de ironia. Silêncios são necessários e prazerosos, assim como os livros. * Sou Mestre em Psicologia Clínica e trabalho como Terapeuta de Shadow Work e Desenvolvimento Pessoal. * As minhas áreas de interesse preferidas são Psicologia Analítica, Mitologia, Filosofia, Psicologia da Religião e Parapsicologia.
foi realmente um desabafo da alma… obrigada pela tua amizade e presença constantes. Caminhamos juntas 😉
Mi hermana d’alma, não deve ter sido fácil (e isto é dizer pouco). Eu tenho uma excelente relação comigo e não só gosto como preciso de momentos só meus, a sós. Adoro ler-te e sente-se nas tuas palavras que abriste o coração. A vulnerabilidade é uma parte muito bonita que muitos de nós tentam esconder mas é tão lindo quando vemos alguém a falar do mais profundo do seu ser. Abraço-te! Honro-te! Não estás mais sozinha.
sim, felizmente a vida presenteou-me com almas como tu para me fazer companhia neste caminho 🙂 Abracinho gigaaante!
obrigada pela tua sinceridade e candura ao abrires o teu coração com quem te lê. imagino como tenha sido difícil o teu percurso mas agora já não estás mais sozinha minha irmã✨