Nem Sempre Zen®

Shadow Work | Desenvolvimento Pessoal | Espiritualidade

Quem somos nós (quando ninguém nos observa)?

 

Quem somos nós quando ninguém nos observa?

A mesma pessoa que achamos que os outros vêem?

A pessoa que nós pensamos que somos?

 

 

Aqueles com quem privo na vida real não são nada do que aparentam nas redes sociais

 

Alguns são melhores pessoas, outros piores. E eu não sou diferente deles.

Conheci muitas pessoas pessoalmente com quem tive o primeiro contacto online. Algumas ainda hoje passados 20 anos são presença assídua na minha vida, a maioria não. Uns porque éramos apenas conhecidos de ocasião, outros seguiram outros caminhos na vida, outros ainda que se revelaram autênticas desilusões e a relação foi terminada.

 

Mas ainda bem que não somos iguais em todos os sítios, online/offline, em casa/no trabalho, com amigos/com família porque quando nos identificamos totalmente com a máscara que apresentamos nas redes sociais, algo poderá estar errado.
Precisamos entender que, por muita vulnerabilidade e “autenticidade” que tentem exibir, há algo mais profundo sobre as pessoas que não nos é possível conhecer.


Já escrevi sobre a máscara, a persona, em diversas ocasiões e continuo a achar relevante falar sobre este tema.

 

 

As redes sociais e o “homem sem sombra”

 

No livro “A natureza da Psique”, Carl Jung escreveu que o “homem sem sombra” é o “tipo humano estatisticamente mais comum, alguém que acredita ser apenas aquilo que gostaria de saber a respeito de si mesmo”.


Pessoas que mostram toda a sua vida pessoal nas redes sociais, seja lá porque razão for, podem tornar-se “pessoas sem sombra” pois depositam nos olhares públicos uma imagem daquilo porque gostariam de ser conhecidas (e geralmente são sempre coisas boas e positivas, claro!).

Quanto mais nos identificamos com a nossa persona, maior se torna a nossa sombra.

 

“Em sua atuação individual, o arquétipo da sombra faz com que o sujeito projete no objeto externo tudo aquilo que carrega em seu íntimo (…). O indivíduo o faz de forma inconsciente porque não consegue sustentar o outro que habita seu próprio ser, porque ainda está preso em sua perspectiva unilateral dos fenômenos da vida e de si mesmo, porque não logra manejar a pluralidade que, todavia, assombra-o psiquicamente.”

 

 

É natural e até desejável que sejamos pessoas diferentes em diferentes contextos e é normal que tenhamos um outro lado, o lado sombra que está oculto de nós, por ser inconsciente, e do público, porque na realidade não somos apenas o que queremos e o que gostamos de saber que somos mas somos, efectivamente, muito mais e isso confere-nos a verdadeira autenticidade.


Torna-se claro, assim, que fazer comparações das nossas vidas com as dos outros que conhecemos online através das fotografias e textos nos Instagram ou Facebook é infundado e irreal porque ninguém é o que parece e muito poucos parecem o que são.

 

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