Nem Sempre Zen

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Nem Sempre Zen

New Age e Superioridade Espiritual

 

No outro dia estava a ler um artigo sobre como as terapias “new age” são perfeitas para alimentar pessoas narcisistas e comportamentos de superioridade espiritual.

Confirmo porque conheço bem os tiques desses comportamentos, uma vez que tomei contacto com eles lá nos idos dos anos 90.

Nessa altura frequentei uma comunidade evangélica que, entre tantas outras barbaridades, promovia a altivez do cristão praticante perante os ignorantes descrentes “eu vou ser salvo no dia do julgamento e se tu não aceitares a verdade que eu prego vais para o inferno!”


O incentivo disfarçado à superioridade espiritual


Hoje em dia este tipo de pensamento não é muito diferente pois em várias áreas de actuação terapêutica “new age” observamos o incentivo à superioridade:

“eu sou a luz”, “eu posso tudo”, “eu crio a minha realidade”, “estás a sofrer? é karma! é porque não acreditas o suficiente!”

Estes são mantras que podem ser mal interpretados, criar ansiedade, frustração ou sentimentos de grandeza exacerbados nos mais incautos ou predispostos à necessidade de controlar os outros.

 

A sombra do terapeuta


Vemos muitos terapeutas orgulhosos de saberem mais que os outros, a brincar de “deus”, a acharem que podem ser psicólogos só porque dizem umas palavras bonitas ao seu cliente, a sentirem-se com autoridade mandar bitaites sobre a vida das pessoas apenas porque conhecem a sua aura ou leram o seu mapa astral.


Os verdadeiros terapeutas sabem que isto não funciona assim. São discretos, inteligentes e humildes – o que nas redes sociais pode ser difícil pois a necessidade de “aparecer” é muito grande.

 

Os verdadeiros terapeutas e orientadores, sejam médicos, padres, professores ou tarólogos percebem que estão aqui para servir o outro com os seus dons e a sua arte e estudam, questionam, pedem ajuda quando é preciso e reconhecem quando não podem ou não sabem dar respostas.


Porque não, nem sempre temos as respostas na ponta da língua, nem sempre conhecemos tudo o que há para conhecer e muito menos podemos achar que conhecemos as pessoas através de uma sessão de reiki, de uma consulta de psicologia, de um thetahealing ou de um mapa astral.


O que fazemos é arranhar a superfície


O que qualquer um de nós faz quando orienta o outro através de uma terapia, nomeadamente as que mexem com a saúde mental ou a espiritualidade e o autoconhecimento, é só arranhar a superfície pois o ser humano é muito mais do que se deixa ver e quem não sabe isso não sabe merda nenhuma.


Faz falta humildade.
Faz falta reverência perante o outro, que é igual a nós.


Espero que todos consigamos distinguir quem é quem neste mundo de fantasia e de pedantismo ambulante que abunda na  espiritualidade new age.

 

 

“O analista aprisionado na sua sombra começa, pouco a pouco, a brincar de profeta. Ele satisfaz as necessidades religiosas de seus pacientes fingindo sabedoria transcendental. Assim como o clérigo aprisionado a sua sombra vê os atos de Deus em toda parte e em tudo, também o analista vê o inconsciente operando em toda parte o tempo todo. Cada sonho, cada acontecimento, evento, doença, alegria, tristeza, cada acidente e cada prêmio de loteria é entendido como sendo o inconsciente em ação.

Nós, os analistas, descemos do nosso altar como pequenos deuses capazes de deduzir tudo de qualquer coisa. Deixamos de reconhecer a mão escura de Moira, o destino, diante da qual até mesmo os deuses, o inconsciente, devem se curvar. Para nós não existe tragédia, não existe o acidente cruel e cego.

Acreditamos que as pessoas se desgraçam porque perderam contato com o inconsciente. E chegamos a acreditar, e deixamos que nossos pacientes acreditem, que podemos espiar por trás dos bastidores dos eventos do mundo.”

ADOLF GUGGENBÜHL-CRAIG in Charlatães, impostores e falsos profetas

 

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