Nem Sempre Zen

Desenvolvimento Pessoal | Autoconhecimento | Shadow Work: I see Beauty in Darkness

Nem Sempre Zen

Desabafos de que quem nasceu às portas dos anos 80

 
 
 
 
 
 

O desafio da cassete pirata

Houve tempos em que nós só conseguíamos ouvir as musicas na rádio com interrupções de anúncios e os locutores a falar por cima (fazer gravações era um desafio imenso! ahahah).

Nessa altura, para ouvirmos a musica como deve ser, tínhamos de comprar os LP’S ou as cassetes dos artistas – ou fazer cópias piratas que circulavam pelo recreio da escola.

Não havia concertos todos os fins de semana ou festivais de Verão como há hoje e quando havia os pais raramente nos deixavam ir, principalmente às raparigas.

Amores platónicos

Não havia canais de TV só com vídeos e entrevistas, por isso muitas das vezes não conhecíamos as caras dos artistas, a não ser que comprássemos a Bravo em alemão, só mesmo para sacar os posters para por na parede do quarto e ver as fotografias.

Não víamos as caras dos artistas, não nos apaixonávamos pela fisionomia das pessoas mas apaixonávamo-nos pelas vozes e pelo som das guitarras.

Vivíamos uma época de “amores platónicos”. A imagem não era tudo.

O advento das redes sociais

Hoje já não há segredos – sabemos exactamente a cor dos olhos do vocalista da banda X, sabemos quem são os pais, onde cresceu, a marca das cuecas que usa. Sabemos daquela menina que começou a cantar no youtube e hoje enche salas de espectáculo quantos namorados teve nas duas últimas semanas e a marca do champô que usa.


Hoje sabemos pelas redes sociais, do rapaz que trabalha na caixa do supermercado para onde vai de férias, quando faz anos de casamento, quem são os irmãos e os melhores amigos.

Sabemos pelas redes sociais da senhora que encontramos no cabeleireiro todas as semanas quantos netos tem e o que vai cozinhar para o almoço de família – mesmo antes da família saber.

Sabemos pela Internet que o nosso irmão com quem não falamos à semanas, partiu um braço porque tirou fotos no hospital e partilhou com o mundo – menos connosco.

Sabemos tudo de tudo (ou achamos que sabemos) e já não há recato, cuidado em preservar certos ensinamentos para que sejam correctamente transmitidos.

Tudo o que se vê e ouve através das redes sociais é tido por verdadeiro e o espírito crítico tem dificuldade em sobreviver.

Já não há segredos, já não há mistérios, está tudo escancarado à nossa frente e a Aventura da descoberta, o fascínio do novo, a imaginação a correr como louca e a dar-nos palpitações de entusiasmo já quase não existe.

PS: é um post saudosista mas não vou dizer que antigamente era melhor ou vice versa. Todas as épocas da vida ensinam-nos alguma coisa. Às vezes bate a saudade mas se formos espertos e aproveitarmos o que temos no HOJE, a vida pode ser realmente fantástica!

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Sara Tibério
18 Dezembro, 2019 16:30

ahhh gravar músicas na rádio (e mais tarde videoclips na mtv) era um desafio bem divertido então pra mim que queria ser locutora de rádio e fazia os meus próprios shows com um gravador. também eu tinhas as paredes cheias se posters da bravo e da super jovem… realmente não sabia quase nada sobre a vida desses artistas e hoje em dia ando a descobrir coisas através de miudagem mais nova que sempre teve acesso a essa informação e uma pesso até se sente parva ‍♀️‍♀️ mas o mistério tinha muita magia, deixava mt à imaginação… e concordo ctg, n… Read more »

Joana Silva
18 Dezembro, 2019 11:55

Engraçado que ainda há dias estive a pensar na infância e adolescência por uma razão mais ou menos idêntica. Uma menina partilhou no Instagram que não é por sabemos tudo sobre os outros que estamos mais próximos, nomeadamente família e amigos (apesar de muito se dizer que as redes servem para nos aproximar). Eu ainda me lembro de passar o ano lectivo a trocar cartas com os amigos com quem só estava nas férias. Era especial. Agora vemos uns vídeos ou umas fotos mas nem uma mensagem às vezes mandamos a saber se está tudo bem, ficamos com aquilo que… Read more »

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