Nem Sempre Zen

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O início da minha transformação pessoal

Ou de como fui de católica a protestante e de agnóstica a qualquer coisa que não sei o que é mas é bonito.

Fiz a escola primária num colégio de freiras, não por motivos religiosos mas porque os meus pais acharam que ali teria a melhor educação – e foi, a professora que nos acompanhou era espectacular!

Por estar nesse ambiente, era obrigada a frequentar missas e outras celebrações religiosas. Nunca me assumi católica mas o aspecto espiritual das histórias e o recolhimento no silêncio da igreja fascinava-me.

Mais tarde, na adolescência descobri o protestantismo através da incursão numa igreja evangélica. Trabalhei lá durante cerca de 5 anos como voluntária e pensei seriamente que tinha encontrado o meu propósito de vida: servir o outro.

Mas ali, o servir o outro vinha acompanhado de coisas como impingir objectos e ideias que supostamente fortaleciam a fé da pessoa. Isso era contrário às minhas crenças pessoais. No meu trabalho sempre incentivei as pessoas a não se agarrarem a objectos ou à necessidade de “fazer para receber”.

Por isso sai de lá, de consciência tranquila.

Apesar disso continuei a acreditar em deus, até ir para a universidade.

Com a Psicologia e as Neurociências em particular, percebi que tudo está no nosso cérebro: a inteligência, o amor, a paz e as crenças. A motricidade, a fala, a consciência, tudo é produto de uma amálgama esponjosa delicadamente alojada na nossa caixa craniana.

E foi nessa altura que me assumi agnóstica. Não acreditava em deuses mas também não podia provar a sua inexistência.

O reencontro com a minha espiritualidade deu-se uns 15 anos mais tarde.

Tudo começou com uma meditação xamânica... Nessa meditação tive uma visão avassaladora do animal de poder que me acompanhava naquele momento. Levei meses a digerir aquilo!

Seguiu-se mais tarde uma leitura de cartas de Tarot, que me tirou as dúvidas e me sugeriu ferramentas para trabalhar.

Assim fiz. Tudo mudou a partir dai.

Não houve uma inspiração divina e aqui estou iluminada. Houve sim muito trabalho de pesquisa, de estudo, de introspecção.

Depois veio a leitura da aura… No final desta leitura, fui a conduzir de Sagres para Portimão como se estivesse a pilotar uma nave especial, contornando aquelas dezenas de rotundas como se fossem sistemas planetários distantes, entre o fascínio do “primeiro contacto”, a descoberta de mundos novos e o conhecimento profundo de cada constelação de estrelas.

Até que, no início de 2019 vieram as provações, o estado de graça afundou-me nas sombras, tempo de as enfrentar à séria.

Momento de “cair na real” e perceber que eu sou uma Wonder Woman mas sem o glamour de andar com uma espada à tiracolo a fazer acrobacias para liquidar os meus inimigos.

Era bom! Mas é fantasia.

Esta foi a minha caminhada em direcção a uma transformação pessoal.

Nada do que vivemos e sentimos é por acaso, pelo menos é nisto que eu acredito.

Detesto impingir ideias e os tempos de “evangelização” já lá vão há muitos, muitos anos.

Hoje partilho as minhas experiências para ajudar outros a perceber que existem formas saudáveis e empoderadoras de ultrapassar maus momentos na vida ou crises pessoais.

Aquela derrocada emocional que me atingiu no inicio de 2019 fez-me crescer tanto, tanto!

Todo o ano foi por si mesmo super desafiante mas também nunca na minha vida me senti tão segura de mim, mesmo com falhas e imperfeições, eu conheço-me e gosto de mim.


A Arte da Fé

Autora do Portal Estrela Guia, a minha convidada de hoje para partilhar os seus momentos “nem sempre zen” é a mulher dos sete ofícios: jornalista, actriz, bailarina, terapeuta holistica mas…. acima de tudo, um ser maravilhoso que tenho o prazer de conhecer pelas andanças do Instagram.

Chama-se Jackye Ferraz e podes acompanhar o trabalho dela aqui.

Nem Sempre Zen – A arte da Fé

A arte da Fé

Por Jackye Ferraz

A vida não é um mar de rosas, verdade. Claro que seria ótimo se assim fosse, pois afinal toda a dificuldade mexe com nosso eu, nos tira da nossa zona de conforto e é assim que entramos em crise. Entretanto, toda a crise mostra-nos um potencial imenso de superação da nossa parte, por vezes nem conhecemos o quão forte podemos ser diante de um momento complicado. A primeira vista normal se desesperar, gritar, achar que está tudo perdido. Digo isso sem julgamento algum, pois é exatamente desse jeito que sinto em alguns períodos da minha vida. E não é porque estamos ou somos mais espiritualizados que nossa agonia é menor, também somos testados e aí mora o perigo da tentação, entrar na onda de que aquela fase menos boa jamais vai passar, então vamos ficando mais tristes, desanimados, podendo até cair na temida depressão.

Mas há algo que pouco de nós tomamos consciência, da nossa grande capacidade de enfrentamento, se em um primeiro instante parece que o mundo desaba na nossa cabeça, quando conseguimos por um segundo nos distanciar um pouco de determinada situação, esperar a poeira baixar, não agir no impulso, respirar profunda e lentamente, a impressão é de que nada é tão horrível, nessa hora nos conectamos com a chamada força interior, algo que pulsa em nós para empurrar-nos para frente. Mas o que é essa sensação? Simplesmente nossa essência a gritar, porque todos temos o poder de vencer qualquer dilema, basta não ter medo. O medo nos paralisa e atrapalha.

Nem Sempre Zen – “vem a procura pela natureza, por abraçar uma árvore, brincar com meus animais, comer uma coisa gostosa, ver um filme bom e rezar

Pois é dessa maneira que eu encaro meus fantasmas. Surto claro nesse primeiro instante pois longe estou ainda de um equilíbrio completamente zen, estou em busca dê, tento e já consegui ultrapassar muitos momentos pesados, descobri nessas horas o quanto consigo resistir e aguentar a dor, a tristeza, a angústia por conseguir compreender que aquilo ali vai de algum modo passar, afinal nada dura para sempre. Na certeza de que no fim tudo acaba bem, se ainda não acabou bem é porque não está no final.

Renascer das cinzas

Então como uma fênix eu renasço das cinzas, depois de muito choro (porque chorar é preciso!) e supero meu momento “nem sempre zen” fazendo uma coisa bem simples: me mimar. Sim, eu me mimo. Me acolho, me acarinho, converso comigo e digo: calma criatura, confia no Universo, tu és uma pessoa boa, isso é só um aprendizado, o que tu deves aprender com isso? Onde anda tua fé? Aquela que tu pregas aos 4 ventos? E depois dessa conversa amigável, eu percebo que sim devo, necessito urgente usar a minha crença, o recado que vem do fundo do coração e me diz: agradece a oportunidade da lição, pede coragem e luz aos teus anjos amigos, amparadores, confia e espera.

A partir dessa nova etapa, vem o domínio da dor, vem o desejo de lutar para logo terminar com esse clima denso, vem a meditação que sereniza, centraliza e me dá um ganho maior, vem a procura pela natureza, por abraçar uma árvore, brincar com meus animais, comer uma coisa gostosa, ver um filme bom e rezar. Rezar consola e fortalece, entrego a Deus e com muita fé digo: Que seja feita a Tua vontade. Uso de todos esses recursos para cercar-me de tudo que possa me animar, me salvar, me trazer de volta ao eixo. O nome disso é fé!



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