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Shadow Work: I see Beauty in Darkness | Desenvolvimento Pessoal & Autoconhecimento

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Submundo


O submundo é para mim uma metáfora sobre enfrentar as trevas da vida: é descer ao fundo de ti e reconheceres as situações da vida que te abatem, as decisões que não consegues tomar, a submissão, a preguiça, a vitimização, a auto comiseração, o medo, os ciúmes, a incapacidade de lidar com os problemas, a ingenuidade, a raiva e por ai vai.

O submundo é para mim uma metáfora sobre enfrentar as trevas da vida

 

Estar no submundo

Estar no “submundo” sempre foi cómodo para mim, é onde me sinto confortável – gosto de me conhecer, de perceber os porquês (meus e dos outros) e sinto-me confortável no meu sofrimento porque o conheço bem, porque as minhas lágrimas consolam-me e aquecem-me o coração Mas talvez por isso houvesse a necessidade de tornar aquele útero aconchegante, num real inferno emocional que me abanasse e me engolisse. O submundo deverá ser lugar de passagem, não de permanência.
 
 

Consciência desperta

 
Ver e sentir essa minha escuridão da alma com a consciência desperta fez toda a diferença.  É duro ter os olhos abertos e ver.
De repente alcanço mais além, conheço melhor a minha sombra, leio melhor os outros, confio mais na minha intuição e tenho noção de tudo o que preciso fazer para mudar e tudo isso traz responsabilidade.
 
 
A responsabilidade de perceber que preciso ter coragem e disciplina, de que necessito mudar a minha relação comigo mesma e com o mundo e que tenho mesmo de deixar de procrastinar e passar à acção.
De repente vejo-me e reconheço-me na minha humanidade. Aceito o que preciso transformar, comprometo-me a mudar e simultaneamente aceito o que sou.


 

O início da minha transformação pessoal

Ou de como fui de católica a protestante e de agnóstica a qualquer coisa que não sei o que é mas é bonito.

Fiz a escola primária num colégio de freiras, não por motivos religiosos mas porque os meus pais acharam que ali teria a melhor educação – e foi, a professora que nos acompanhou era espectacular!

Por estar nesse ambiente, era obrigada a frequentar missas e outras celebrações religiosas. Nunca me assumi católica mas o aspecto espiritual das histórias e o recolhimento no silêncio da igreja fascinava-me.

Mais tarde, na adolescência descobri o protestantismo através da incursão numa igreja evangélica. Trabalhei lá durante cerca de 5 anos como voluntária e pensei seriamente que tinha encontrado o meu propósito de vida: servir o outro.

Mas ali, o servir o outro vinha acompanhado de coisas como impingir objectos e ideias que supostamente fortaleciam a fé da pessoa. Isso era contrário às minhas crenças pessoais. No meu trabalho sempre incentivei as pessoas a não se agarrarem a objectos ou à necessidade de “fazer para receber”.

Por isso sai de lá, de consciência tranquila.

Apesar disso continuei a acreditar em deus, até ir para a universidade.

Com a Psicologia e as Neurociências em particular, percebi que tudo está no nosso cérebro: a inteligência, o amor, a paz e as crenças. A motricidade, a fala, a consciência, tudo é produto de uma amálgama esponjosa delicadamente alojada na nossa caixa craniana.

E foi nessa altura que me assumi agnóstica. Não acreditava em deuses mas também não podia provar a sua inexistência.

O reencontro com a minha espiritualidade deu-se uns 15 anos mais tarde.

Tudo começou com uma meditação xamânica... Nessa meditação tive uma visão avassaladora do animal de poder que me acompanhava naquele momento. Levei meses a digerir aquilo!

Seguiu-se mais tarde uma leitura de cartas de Tarot, que me tirou as dúvidas e me sugeriu ferramentas para trabalhar.

Assim fiz. Tudo mudou a partir dai.

Não houve uma inspiração divina e aqui estou iluminada. Houve sim muito trabalho de pesquisa, de estudo, de introspecção.

Depois veio a leitura da aura… No final desta leitura, fui a conduzir de Sagres para Portimão como se estivesse a pilotar uma nave especial, contornando aquelas dezenas de rotundas como se fossem sistemas planetários distantes, entre o fascínio do “primeiro contacto”, a descoberta de mundos novos e o conhecimento profundo de cada constelação de estrelas.

Até que, no início de 2019 vieram as provações, o estado de graça afundou-me nas sombras, tempo de as enfrentar à séria.

Momento de “cair na real” e perceber que eu sou uma Wonder Woman mas sem o glamour de andar com uma espada à tiracolo a fazer acrobacias para liquidar os meus inimigos.

Era bom! Mas é fantasia.

Esta foi a minha caminhada em direcção a uma transformação pessoal.

Nada do que vivemos e sentimos é por acaso, pelo menos é nisto que eu acredito.

Detesto impingir ideias e os tempos de “evangelização” já lá vão há muitos, muitos anos.

Hoje partilho as minhas experiências para ajudar outros a perceber que existem formas saudáveis e empoderadoras de ultrapassar maus momentos na vida ou crises pessoais.

Aquela derrocada emocional que me atingiu no inicio de 2019 fez-me crescer tanto, tanto!

Todo o ano foi por si mesmo super desafiante mas também nunca na minha vida me senti tão segura de mim, mesmo com falhas e imperfeições, eu conheço-me e gosto de mim.


Isto não é a realidade

Hoje tive um sonho.
Era como se estivesse dentro de um jogo de computador.

Eu e a minha equipa éramos reféns de um grupo de monstros/fantasmas que tentavam iludir-nos e fazer-nos cair nas suas armadilhas por via de uns desafios que precisávamos completar.

Não estávamos presos mas era como se estivéssemos.

 

O centro de tudo

Um dos castigos infligidos a quem perdia os desafios era definhar à fome, em público, até se verem as entranhas. Ao invés das costelas que ficam visíveis quando o corpo emagrece demasiado, aqui eram os nossos orgãos internos, do centro do corpo.

O centro de tudo no nosso corpo está relacionado com os nossos medos, o nosso poder pessoal, então é fácil perceber que estes fantasmas/monstros na pele de nossos carcereiros, queriam intimidar-nos a ponto de perdermos a nossa confiança e auto estima.

Não só isso nos enfraquece como nos torna vulneráveis face à humilhação a que se era sujeito, ao vermos as nossas fraquezas serem expostas perante os nossos pares.

No final do sonho, lembro-me de que eu era a última a passar por uma série de desafios, a la hunger games. Então o meu pensamento naquela altura era:  vou passar pelo meio da praça, levantar a cabeça, encher o peito e mandar a mensagem aos meus carrascos:

Vejam bem onde estão os meus olhos: aqui em cima! Eu estou cheia de medo mas isto não é a realidade, por isso vou passar e vou vencer!”

Com medo mas de cabeça erguida

Sempre que, na vida real, me sinto assim, lembro-me sempre da expressão da Uma Thurman no filme Kill Bil, na cena da batalha na House of the Blue Leaves… a forma dominante e segura como ela pega na espada contrasta com o olhar que varia entre o terror e o sentimento de “fuck it, I’m gonna do this“.

https://www.youtube.com/watch?v=fWqnZTTRkm4

De uma forma resumida, esta personagem (eu, no meu sonho; a Beatrix Kiddo, no Kill Bill) sou eu, és tu e tantas outras pessoas a passarmos pela vida: de espada na mão, prontos para a batalha, sozinhos, com medo e vulneráveis mas de cabeça erguida.

Os desafios realmente são muitos e tantas vezes quebram-nos o espírito, tentam fazer-nos sentir fracos e impotentes mas… isto não é a realidade.

A realidade somos nós que a criamos.

Não é preciso ter vergonha de sentir coisas supostamente “menos nobres” como frustração, irritações ou mesmo o medo. Todas emoções e os sentimentos que vivemos servem para nos trazer lições.

Há que continuar a caminhar, passo a passo.

O que vem a seguir a um passo? Outro passo. E outro e outro. E assim seguimos viagem.


A “desconstrução” da felicidade

Há agora uma vaga de desconstrução da ideia de felicidade plena e perfeita mas isso não é de todo uma coisa nova.

O problema foi todo o “arraial” que se formou há uns bons anos à volta de uma ideia errada do que era a felicidade e agora é preciso limpar o lixo e voltar a fazer as pessoas perceberem que afinal não faz mal não estar sempre bem…

 

Nem Sempre Zen – Não há vidas sem contratempos. Não há felicidade sem altos e baixos nas nossas emoções.

 

 

Por volta de 2010, quando houve a grande crise financeira em Portugal, a vida de muitas pessoas mudou drasticamente. Famílias ficaram sem emprego, sem casa e sentiram perder também a dignidade. Nessa altura, começou o discurso generalista do “tens de ser positivo”.

Estava tanta gente a passar mal que os que se mantinham à tona, sem poder fazer grande coisa, respondiam com palmadinhas nas costas “vá, pensamento positivo!”.

Existiu muita crueldade à conta da má sorte dos outros assim como hoje ainda há quem se aproveite da inocência e desconhecimento das pessoas que precisam de ajuda para encontrar um caminho.

A “magia de não estar sempre feliz” é a essência da felicidade. Porquê? Porque a felicidade, diz a ciência, é a prevalência de estados emocionais positivos sobre os negativos.
Não há vidas sem contratempos. Não há felicidade sem altos e baixos nas nossas emoções.

Aqui no site há um artigo de 2018 chamado ” A magia de não estar sempre feliz” que podes ler ou reler porque continua actual.

 

 


Empoderamento feminino

 

 
Há mulheres que precisam adiar a gravidez por causa do trabalho e outras que não conseguem engravidar por causa do stress do trabalho.
 
Há mulheres que desempenham as mesmas funções que os homens mas auferem salários inferiores.
 
Sobre as mulheres pesa uma enorme responsabilidade e muitas são “obrigadas” a tomar medicação para aguentar dores porque não podem faltar ao trabalho. Outras têm de fazer uma ginástica mirabolante entre o cuidar da casa e dos filhos e o trabalho.
Tudo isto para evitar ficar em posição de desvantagem face aos homens.
 
Na verdade, o que se passa é que elas  ainda precisam esforçar-se mais para conseguir aquilo que aos homens é dado de bom grado e com toda a confiança do mundo.

As mulheres nunca deveriam ter de optar por isto ou aquilo. As mulheres deveriam poder fazer o que quisessem sem ter de fazer concessões, sem ter de escolher sem mãe ou empresária, bastava para isso que existissem, na sociedade, condições para tal acontecer.


Empoderamento no vazio

 
 
Quando vejo algumas “campanhas” para empoderar as mulheres vejo muitas vezes uma série de disparates que só servem para insuflar o ego de quem dá a cara mas que, na sociedade, de nada adianta às mulheres que tanto defendem.
 
Falar do empoderamento feminino sem ir ao fundo da questão não serve a nada nem a ninguém.
 
É necessário mais envolvimento na comunidade, através de associações, da prática de voluntariado ou de participação política – nem que seja simplesmente através do voto. Ou seja, mais acções práticas.
 
 
 
Nem Sempre Zen – Empoderamento feminino: “não pode haver verdadeiro progresso no que diz respeito aos direitos das mulheres até que certas leis sejam alteradas e um determinado tipo de proteção tenha lugar”
 
 
 
 

O direito de não ter de lutar todos os dias

 
“Fala-se muito de empoderamento, mas não pode haver verdadeiro progresso no que diz respeito aos direitos das mulheres até que certas leis sejam alteradas e um determinado tipo de proteção tenha lugar, de forma a que as mulheres estejam realmente seguras.
 
Mas, depois, para lá destes direitos essenciais – seja o direito de ir à escola ou o direito de chegar a casa em segurança –, há aspetos sobre os quais nunca chegamos a falar.
 
Refiro-me ao direito de não ter de lutar todos os dias. Ao direito de não ter de provar a cada momento que somos capazes, que somos fortes, que podemos trabalhar e educar os nossos filhos. Ao direito de não termos de estar a ser constantemente desafiadas. Ao direito de ser suaves. Tenho pensado muito na ideia de suavidade e a verdade é que, muitas vezes, não nos é dado esse espaço.”
 
 
 

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