Nem Sempre Zen

Autoconhecimento e Desenvolvimento Pessoal by Patrícia Zen

Nem Sempre Zen

Respirar

Hoje tenho o prazer de ter a Nadine Silva como convidada.

A Nadine é professora de yoga e veio contar-nos como como está a tentar superar a dor de uma perda.

Nem Sempre Zen – “Quando a saudade aperta, respiro.”

Quando a saudade aperta, respiro.

Por Nadine Silva

É quase dia da mãe. 

Vai ser o primeiro sem a minha mãe. Ela deixou o seu corpo físico há cerca de oito meses.

Nasci quando a minha mãe tinha 35 anos, e ela deixou-nos na véspera do meu 35º aniversário. 

O dia em que nos conhecemos coincidiu, 35 anos depois, com o dia em que nos despedimos. 

Foi um dos momentos mais dolorosamente dilacerantes da minha vida. 

E a única coisa que eu consegui fazer foi respirar através das sensações. Foi essa a palavra que escolhi, porque respirar tem sido a minha âncora. 

Quando as memórias se tornam difíceis, respiro. 

Quando a saudade me aperta, respiro. 

Quando a dor sufoca, respiro. 

E, por um breve momento, ganho um pouco de perspetiva sobre o que estou a sentir. 

A dor continua lá, mas não me faz perder o norte. 

A dor é um processo natural, faz parte da experiência humana. É um sintoma de vida. Mas não precisa de nos assoberbar e afundar. 

A forma mais bonita que consegui encontrar de a homenagear foi plantando a sua flor favorita em minha casa. Ela nunca foi dada a cemitérios, sempre disse que o corpo era apenas um invólucro para o espírito, por isso não a consigo imaginar nesse espaço. 

Vivemos obcecados em negar e reconhecer o lado sombrio da vida.

Sei que não está na moda falar de luto, ou de dor, mas acho importante reconhecer que esses momentos existem, e que aquilo que as redes sociais publicitam (especialmente no mundo da espiritualidade e do yoga) – a felicidade e positividade constantes – isso não é normal nem real. 

Vivemos obcecados em negar e reconhecer o lado sombrio da vida.

E nesses momentos de profunda dor, regressar às coisas mais simples e básicas podem ser os nossos pontos de equilíbrio. 

Porque nem sempre estamos zen. 

E está tudo certo. 

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