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Submundo


O submundo é para mim uma metáfora sobre enfrentar as trevas da vida: é descer ao fundo de ti e reconheceres as situações da vida que te abatem, as decisões que não consegues tomar, a submissão, a preguiça, a vitimização, a auto comiseração, o medo, os ciúmes, a incapacidade de lidar com os problemas, a ingenuidade, a raiva e por ai vai.

O submundo é para mim uma metáfora sobre enfrentar as trevas da vida

 

Estar no submundo

Estar no “submundo” sempre foi cómodo para mim, é onde me sinto confortável – gosto de me conhecer, de perceber os porquês (meus e dos outros) e sinto-me confortável no meu sofrimento porque o conheço bem, porque as minhas lágrimas consolam-me e aquecem-me o coração Mas talvez por isso houvesse a necessidade de tornar aquele útero aconchegante, num real inferno emocional que me abanasse e me engolisse. O submundo deverá ser lugar de passagem, não de permanência.
 
 

Consciência desperta

 
Ver e sentir essa minha escuridão da alma com a consciência desperta fez toda a diferença.  É duro ter os olhos abertos e ver.
De repente alcanço mais além, conheço melhor a minha sombra, leio melhor os outros, confio mais na minha intuição e tenho noção de tudo o que preciso fazer para mudar e tudo isso traz responsabilidade.
 
 
A responsabilidade de perceber que preciso ter coragem e disciplina, de que necessito mudar a minha relação comigo mesma e com o mundo e que tenho mesmo de deixar de procrastinar e passar à acção.
De repente vejo-me e reconheço-me na minha humanidade. Aceito o que preciso transformar, comprometo-me a mudar e simultaneamente aceito o que sou.


 
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Respeito

Ao ver um evento de dança terapêutica, reparei na forma como as pessoas se moviam.
Uns rodopiavam sobre si mesmos, outros saltitavam e exploravam todos os cantos da sala, outros simplesmente ocupavam o espaço dos restantes participantes, impondo o movimento histérico do seu corpo na bolha do outro.

 

Assim são as pessoas na vida, nas redes sociais. Uns fazem o seu trabalho de forma organizada, focada e discreta, resguardando-se, sendo amável para com todos, outros fazem questão de se posicionar em bicos de pés para serem (bem) vistos e afirmar quão sábios são.

Se há coisa que me perturba é a invasão do espaço alheio, seja quando estou a assistir a um concerto e os matulões se metem à minha frente para dar a vista às namoradas (eu com 1,60 não me safo la muito bem né?), seja num transporte publico quando traçam as pernas que ficam a bater nas tuas, seja numa reunião que estás a conduzir e alguém insiste em interromper-te para “meter a colher” sem te deixar “vender o teu peixe” até ao fim ou mesmo nas redes sociais quando invadem o teu espaço para mandar bitaites sobre o quanto eles mesmos são bons e já viram e aconteceram.

 

Da mesma maneira que me perturbam os condutores que não fazem piscas (anda muita gente ai com bons carros mas coitados, sem piscas, que tragédia, foram enganados) porque isso significa que estás a borrifar-te para os outros. Se eu viro à esquerda ou à direita e não assinalo é porque me estou a cagar para ti que vens atrás de mim ou para o peão que não sabe se há-de atravessar a estrada ou ficar quieto.

 

 

Se estou no balcão do café e ocupo metade desse espaço com a minha carteira, telemóvel, chaves de carro, jornal, óculos de sol E café, estou-me a cagar para ti que estás amarfanhado a um cantinho a bebericar o teu café com os braços junto ao corpo porque espaço, esquece…

 

Se vou à tua conta de instagram comentar um comentário, passo a redundância, de outra pessoa e não comento o essencial do que o outro escreveu no seu post, estou a cagar-me para a mensagem principal e para quem escreveu.

 

Se eu atravesso as passadeiras na diagonal e não me desvio quando fico frente a frente a ti e ponho-te em risco de levares com um carro em cima, estou a cagar-me pra ti.

 

Respeito pelo outro. É o que eu sinto que falta na sociedade.

Os médicos e professores, entre tantos outros profissionais, são alvo de agressões simplesmente porque falta o respeito.

 

Quando eu me expresso, imaginemos que a dançar, tenho liberdade de me mover por toda a sala, fazer movimentos convulsivos, bater o pé ou rodopiar mas não tenho o direito de te desrespeitar e invadir o teu espaço, a tua performance, a tua concentração e foco, o teu momento.

 

(peço desculpa por um palavreado menos “próprio” mas só assim conseguiria expressar-me neste texto)

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Feliz Ano Novo

Esta é uma altura de resoluções, de recomeços e de novos compromissos.

Daqui a uma semana já muitas pessoas se esqueceram dessas resoluções e voltaram a por de lado um livro que tinham pensado acabar, voltaram a fumar, a comer mal, a zangar-se por tudo e por nada…

Segundo um estudo da Universidade de Scranton, nos EUA, apenas 8% das pessoas conseguem atingir os seus objectivos de ano novo.

Não consegues começar hoje? Não tem problema!

Talvez o ginásio tenha mudado os horários ou seja mais caro e não consigas frequentar como tinhas planeado.

Talvez ainda tenhas restos de comida pouco saudável e não consigas começar o ano como te propuseste fazer.

Talvez já te tenhas irritado a caminho do trabalho, no transito.

Não tem problema…

Independentemente do que tenhas decidido fazer ou ter, não te esqueças que tudo parte de dentro de ti e todos os dias tens oportunidade de recomeçar.

Começa com pequenos passos e dá uma oportunidade a ti mesm@ … todos os dias!!

Sê fiel a ti, aos teus princípios.

Não te deixes levar pelas conversas que não te acrescentam nada de valor

Não te deixes influenciar pelo que os outros fazem ou não fazem. A tua vida é tua.

A todos que estão na luta, aos que já venceram a guerra, aos que ainda andam a flutuar inconscientemente pela vida, aos que estão bem acordados e resolvidos a mudar o mundo…

Feliz Ano Novo 2020!

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Desabafos de que quem nasceu às portas dos anos 80

 
 
 
 
 
 

O desafio da cassete pirata

Houve tempos em que nós só conseguíamos ouvir as musicas na rádio com interrupções de anúncios e os locutores a falar por cima (fazer gravações era um desafio imenso! ahahah).

Nessa altura, para ouvirmos a musica como deve ser, tínhamos de comprar os LP’S ou as cassetes dos artistas – ou fazer cópias piratas que circulavam pelo recreio da escola.

Não havia concertos todos os fins de semana ou festivais de Verão como há hoje e quando havia os pais raramente nos deixavam ir, principalmente às raparigas.

Amores platónicos

Não havia canais de TV só com vídeos e entrevistas, por isso muitas das vezes não conhecíamos as caras dos artistas, a não ser que comprássemos a Bravo em alemão, só mesmo para sacar os posters para por na parede do quarto e ver as fotografias.

Não víamos as caras dos artistas, não nos apaixonávamos pela fisionomia das pessoas mas apaixonávamo-nos pelas vozes e pelo som das guitarras.

Vivíamos uma época de “amores platónicos”. A imagem não era tudo.

O advento das redes sociais

Hoje já não há segredos – sabemos exactamente a cor dos olhos do vocalista da banda X, sabemos quem são os pais, onde cresceu, a marca das cuecas que usa. Sabemos daquela menina que começou a cantar no youtube e hoje enche salas de espectáculo quantos namorados teve nas duas últimas semanas e a marca do champô que usa.


Hoje sabemos pelas redes sociais, do rapaz que trabalha na caixa do supermercado para onde vai de férias, quando faz anos de casamento, quem são os irmãos e os melhores amigos.

Sabemos pelas redes sociais da senhora que encontramos no cabeleireiro todas as semanas quantos netos tem e o que vai cozinhar para o almoço de família – mesmo antes da família saber.

Sabemos pela Internet que o nosso irmão com quem não falamos à semanas, partiu um braço porque tirou fotos no hospital e partilhou com o mundo – menos connosco.

Sabemos tudo de tudo (ou achamos que sabemos) e já não há recato, cuidado em preservar certos ensinamentos para que sejam correctamente transmitidos.

Tudo o que se vê e ouve através das redes sociais é tido por verdadeiro e o espírito crítico tem dificuldade em sobreviver.

Já não há segredos, já não há mistérios, está tudo escancarado à nossa frente e a Aventura da descoberta, o fascínio do novo, a imaginação a correr como louca e a dar-nos palpitações de entusiasmo já quase não existe.

PS: é um post saudosista mas não vou dizer que antigamente era melhor ou vice versa. Todas as épocas da vida ensinam-nos alguma coisa. Às vezes bate a saudade mas se formos espertos e aproveitarmos o que temos no HOJE, a vida pode ser realmente fantástica!

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A “desconstrução” da felicidade

Há agora uma vaga de desconstrução da ideia de felicidade plena e perfeita mas isso não é de todo uma coisa nova.

O problema foi todo o “arraial” que se formou há uns bons anos à volta de uma ideia errada do que era a felicidade e agora é preciso limpar o lixo e voltar a fazer as pessoas perceberem que afinal não faz mal não estar sempre bem…

 

Nem Sempre Zen – Não há vidas sem contratempos. Não há felicidade sem altos e baixos nas nossas emoções.

 

 

Por volta de 2010, quando houve a grande crise financeira em Portugal, a vida de muitas pessoas mudou drasticamente. Famílias ficaram sem emprego, sem casa e sentiram perder também a dignidade. Nessa altura, começou o discurso generalista do “tens de ser positivo”.

Estava tanta gente a passar mal que os que se mantinham à tona, sem poder fazer grande coisa, respondiam com palmadinhas nas costas “vá, pensamento positivo!”.

Existiu muita crueldade à conta da má sorte dos outros assim como hoje ainda há quem se aproveite da inocência e desconhecimento das pessoas que precisam de ajuda para encontrar um caminho.

A “magia de não estar sempre feliz” é a essência da felicidade. Porquê? Porque a felicidade, diz a ciência, é a prevalência de estados emocionais positivos sobre os negativos.
Não há vidas sem contratempos. Não há felicidade sem altos e baixos nas nossas emoções.

Aqui no site há um artigo de 2018 chamado ” A magia de não estar sempre feliz” que podes ler ou reler porque continua actual.

 

 

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