Nem Sempre Zen

Desenvolvimento Pessoal & Espiritualidade by Patrícia Zen

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A magia da natureza

A convidada de hoje, para fechar com chave de ouro este capítulo de textos sobre como superar momentos “nem sempre zen”, é a Anita D’Ambrosio.

Digo fechar com chave de ouro porque hoje falamos da NATUREZA, que foi a palavra escolhida pela Anita para caracterizar o ultrapassar dos seus momentos “nem sempre zen”.

A Anita é health coach holística e apaixonada por nutrição. No seu site anitadambrosio.com ela partilha o seu saber, disponibiliza serviços e escreve artigos sobre nutrição, bem estar, actividade física e espiritualidade.

Natureza

Por Anita D’Ambrósio

Os momentos mais difíceis da minha vida foram sempre indiscutivelmente momentos de grande transformação e de mudança para melhor.

Demorei muito tempo a perceber que não tinha de resistir a estes momentos, mas deixar que as coisas fluíssem. Sou uma lutadora por carácter e ao longo da minha vida tive sempre de lutar contra situações desfavoráveis. Instinto de sobrevivência, não é?

Nem Sempre Zen – “há circunstâncias em que a única opção é a Aceitação

Mas há circunstâncias em que a única opção é a Aceitação, em que lutar só nos vai dar muitas dores de cabeça e outros mal-estares físicos, e quem sofre és somente tu, porque a situação não vai mudar.

Obviamente não é algo fácil de interiorizar, é um processo que demora tempo, cada um tem o seu próprio ritmo, mas uma vez que percebes que tens de aceitar essa situação difícil e deixas-te levar, superas o obstáculo e sais dela como uma pessoa renascida, mais forte.

Como é que consegui Aceitar as situações difíceis e entregar-me a elas?

A Natureza é a minha guia. A vida humana é uma metáfora, uma pequena representação da Natureza.

Pensa: a Natureza é o equilíbrio que nasce da força destrutiva e da força curativa. Não há Sol e portanto luz, sem a Lua que aparece com a escuridão. Não há mar calmo sem mar agitado. Não há Primavera com o seu Renascimento se não há Outono e o Inverno previamente.

Tudo isto significa que não podes Ser Feliz se não passares por momentos difíceis, tristes e de sofrimento. Estes momentos fazem parte de um equilibro necessário para a Vida e não tens de vê-los como inimigos, pois são poderosos momentos de crescimento emocional e espiritual. Com eles aproximamo-nos cada vez mais do significado da Vida, da nossa Missão, do que queremos,  e do que realmente importa.

Nem Sempre Zen – “Observar a Água do mar, dum rio, dum canal… A água Flui, limpa o que não serve, limpa o anterior e dá espaço ao que vem depois

Contacto com a natureza

Nestas fases duras, o que me ajudou muito foi o contacto com a Natureza

1.Colocar as mãos ou os pés descalços na terra e focar-me na sensação de proteção, de segurança que ela nos dá. A Terra está presente e existe para nos segurar a cada dia

2. Passear num parque e observar as Árvores, a sua força. Passam por muitas tempestades e sempre permanecem, já reparaste? Dão-nos oxigénio para respirar, frutos para comer…

3. Observar a Água do mar, dum rio, dum canal… A água Flui, limpa o que não serve, limpa o anterior e dá espaço ao que vem depois. Nunca para de fluir, nunca resiste e graças a ela a vida é possível

4. Observar o céu, quer com nuvens quer com sol… é algo imenso, maior do que nós, conecta-nos com algo superior e por isso faz-nos sentir que nós e os nossos problemas, em comparação, são tão pequenos, fazendo-nos ver o que realmente é importante, valorizando as pequenas coisas da vida.

Estes são pequenos exemplos de como a Natureza me ajuda e pode ajudar-te nos momentos mais difíceis. Foca-te em cada elemento da Natureza, observa-o com atenção e vê a importância que têm na tua vida. Estes elementos da Natureza são a razão pelo qual a vida é possível e devemos expressar gratidão por esta dádiva.

Perceber que a Natureza é algo imenso e que os nossos problemas comparados com a dádiva da vida são algo tão pequeno, é a chave para ultrapassarmos os momentos difíceis nas nossas vidas

Espero que estas dicas sejam tão valiosas nos momentos duros como são para mim!

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Nem sempre, ou quase nunca, zen

Irreverente e perspicaz, a minha amiga Sara, é a convidada de hoje do Nem Sempre Zen.

A Sara é professora de yoga e estudante de astrologia (futura astróloga, portanto!) e é também autora do Vikasa.pt, um site sobre yoga, autoconhecimento e espiritualidade, cuIdados naturais e alimentação saudável.

Quase nunca zen

Por Sara Tibério

Uma vez, no meu primeiro emprego, disseram-me que eu era “desenrascada” (era um elogio, atenção).

Eu mantive a poker face mas por dentro desmanchei-me a rir, apercebi-me que não me conheciam de todo. Posso aparentar ser chill e tal mas por dentro vai aqui uma royal mess.

Há medida que me vou apercebendo dos ciclos da natureza, especialmente das flutuações da lua e das movimentações dos astros, que não dançam apenas no céu mas também dentro de nós, permito-me, mais e mais, sentir e expressar as emoções que me inundam. 

Não tenho truques infalíveis para vos dar sobre o que resulta ou não porque vai depender de pessoa para pessoa e variar de momento para momento; mas há, sem dúvida, coisas que recomendo.

Nem Sempre Zen – “O que vos pede o corpo? Aprendam a escutá-lo.”

A primeira aprendi com uma amiga (beijinhos, salty!)  Num momento em que estejam bem, façam uma lista das coisas que sabem que vos deixam de bom humor, como tomar um banho com sais, comer fruta doce, ouvir uma playlist preparada para essa ocasião… tragam sempre essa lista convosco, apontada no telemóvel, por exemplo.


O que te pede o corpo?

Na hora do rollercoaster emocional, e caso os itens da lista não estejam a ser suficientes, deixem o instinto actuar. O que vos pede o corpo? Aprendam a escutá-lo. Se vos apetecer chocolate comam. Se vos apetecer dormir, não importa a hora do dia, durmam (dentro do possível, claro). Se vos apetecer mexer, pratiquem yoga, dancem sozinhos pela casa ou façam uma caminhada. E se vos apetecer ficar no sofá a ver filmes lamechas, fiquem.

Por último, mas não menos importante, questionem-se sobre a mensagem que esse estado menos zen vos pode estar a tentar transmitir. O que levou a essa situação? É um estado recorrente? Qual o significado simbólico que pode estar oculto?

Momentos destes todos temos, e a toda a hora – o que importa é que não se deixem levar por eles e que os levem com leveza.

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Resiliência


A convidada de hoje do Nem Sempre Zen é a Ana Roxo, que nos fala de resiliência e partilha as suas estratégias de auto cuidado e formas de ultrapassar os momentos nem sempre zen.

A Ana, nascida em Coimbra e criada em Alcobaça, vive actualmente no Reino Unido. Ela é enfermeira e trabalha na área da Geriatria, em lares de idosos.

Agradeço o entusiamo com que a Ana acolheu a ideia de escrever este artigo, é um prazer partilhar este espaço com pessoas assim, vibrantes e verdadeiras!

Resiliência

Por Ana Roxo

A Patrícia Zen escolheu-me, entre outros, para escrever sobre como ultrapasso momentos menos fáceis, e que grata me sinto pela oportunidade!

Não sou nenhuma “gurua” nem nada que se pareça mas quero-te falar sobre o que tenho aprendido, na esperança de que o meu humilde conhecimento nesta área inspire alguém, nem que seja apenas uma pessoa só, a ultrapassar algum momento menos bom porque esteja a passar.

Naqueles dias em que tudo parece mau…muito mau, em que o peito aperta, há um nó na garganta, em que já nem consigo pensar direito e até um arcos-íris me parece tons de cinza…largo tudo…TUDO mesmo (dentro dos mínimos da responsabilidade, claro), e priorizo-me.

Nem Sempre Zen – Resiliência, amor próprio, auto cuidado

Uma palavra com que ando (saudavelmente) obcecada é RESILIÊNCIA: a “capacidade de lidar com problemas, adaptar a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Manter a imunidade mental é a base para criar resiliência emocional.

Escrevia páginas e paginas sobre isto… deixo assim uma provocação mental para ti, apenas.

Sê proactiva(o) no teu próprio desenvolvimento, quando eras criança não tinhas escolha… agora tens. Maus acontecimentos não te definem, define-te o que deixas que eles façam de ti.

Vivemos na era da informação, pergunta ao Google “como aumentar resiliência”, “estratégias para”, vê  vídeos no youtube, ouve podcasts, dedica tempo a isso, por ti, para ti, para que melhorando-te a ti, melhores o teu mundo e desencadeies acontecimentos positivos antes inimagináveis.

Tranforma o teu feed… segue pessoas, páginas, grupos, que postem mensagens positivas. Aprende, experiência ate encontrares a tua combinação, o que funciona para ti, o que te ajuda a ser, sentir, fazer mais e melhor. Sê honesta(o) contigo propria(o), sê para ti mesma(o) a(o) melhor amiga(o) que és para quem amas.

Nem Sempre Zen – “Tranforma o teu feed… segue pessoas, páginas, grupos, que postem mensagens positivas. Aprende, experiência ate encontrares a tua combinação, o que funciona para ti, o que te ajuda a ser, sentir, fazer mais e melhor.”

Pessoalmente, o que mais gosto de fazer, e tem funcionado mais, ultimamente (muda conforme “me da na real gana”) é caminhar com a minha cãopanheira na natureza. quanto mais “into the wild” melhor, adoramos descobrir paisagens e sítios mágicos, de cortar a  respiração (pelo menos a  nós).  Às vezes até estão mais perto de casa do que pensamos…não é tão bom?! Chego a descalçar-me para reenergizar com a terra (não me incomoda nem um bocadinho o que pensa quem vê).

Descobri a  meditação e as frequências binaurais, entre outras.

Gosto também de escrever sobre o que sinto, porquê, o que vou fazer quanto a isso, determinar objectivos… faço algo que tenha andado a procrastinar… leio muito (poucos livros, mas também) sempre sobre sobre “o que me der na real gana”…aprendo! ..

Faço crochet (não, não é só para “velhas”), outras vezes corro…que é como quem diz “correr dois ou três minutos intercalados com cinco ou dez a caminhar!”.

E assim espero ter-te inspirado a ser mais proactiva(o) em relação ao teu estado de espírito, físico e mental. Sobre tudo, Ama-te! Mas de verdade, com carinho e respeito.

Gratidão imensa.

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Respirar

Hoje tenho o prazer de ter a Nadine Silva como convidada.

A Nadine é professora de yoga e veio contar-nos como como está a tentar superar a dor de uma perda.

Nem Sempre Zen – “Quando a saudade aperta, respiro.”

Quando a saudade aperta, respiro.

Por Nadine Silva

É quase dia da mãe. 

Vai ser o primeiro sem a minha mãe. Ela deixou o seu corpo físico há cerca de oito meses.

Nasci quando a minha mãe tinha 35 anos, e ela deixou-nos na véspera do meu 35º aniversário. 

O dia em que nos conhecemos coincidiu, 35 anos depois, com o dia em que nos despedimos. 

Foi um dos momentos mais dolorosamente dilacerantes da minha vida. 

E a única coisa que eu consegui fazer foi respirar através das sensações. Foi essa a palavra que escolhi, porque respirar tem sido a minha âncora. 

Quando as memórias se tornam difíceis, respiro. 

Quando a saudade me aperta, respiro. 

Quando a dor sufoca, respiro. 

E, por um breve momento, ganho um pouco de perspetiva sobre o que estou a sentir. 

A dor continua lá, mas não me faz perder o norte. 

A dor é um processo natural, faz parte da experiência humana. É um sintoma de vida. Mas não precisa de nos assoberbar e afundar. 

A forma mais bonita que consegui encontrar de a homenagear foi plantando a sua flor favorita em minha casa. Ela nunca foi dada a cemitérios, sempre disse que o corpo era apenas um invólucro para o espírito, por isso não a consigo imaginar nesse espaço. 

Vivemos obcecados em negar e reconhecer o lado sombrio da vida.

Sei que não está na moda falar de luto, ou de dor, mas acho importante reconhecer que esses momentos existem, e que aquilo que as redes sociais publicitam (especialmente no mundo da espiritualidade e do yoga) – a felicidade e positividade constantes – isso não é normal nem real. 

Vivemos obcecados em negar e reconhecer o lado sombrio da vida.

E nesses momentos de profunda dor, regressar às coisas mais simples e básicas podem ser os nossos pontos de equilíbrio. 

Porque nem sempre estamos zen. 

E está tudo certo. 

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A Arte da Fé

Autora do Portal Estrela Guia, a minha convidada de hoje para partilhar os seus momentos “nem sempre zen” é a mulher dos sete ofícios: jornalista, actriz, bailarina, terapeuta holistica mas…. acima de tudo, um ser maravilhoso que tenho o prazer de conhecer pelas andanças do Instagram.

Chama-se Jackye Ferraz e podes acompanhar o trabalho dela aqui.

Nem Sempre Zen – A arte da Fé

A arte da Fé

Por Jackye Ferraz

A vida não é um mar de rosas, verdade. Claro que seria ótimo se assim fosse, pois afinal toda a dificuldade mexe com nosso eu, nos tira da nossa zona de conforto e é assim que entramos em crise. Entretanto, toda a crise mostra-nos um potencial imenso de superação da nossa parte, por vezes nem conhecemos o quão forte podemos ser diante de um momento complicado. A primeira vista normal se desesperar, gritar, achar que está tudo perdido. Digo isso sem julgamento algum, pois é exatamente desse jeito que sinto em alguns períodos da minha vida. E não é porque estamos ou somos mais espiritualizados que nossa agonia é menor, também somos testados e aí mora o perigo da tentação, entrar na onda de que aquela fase menos boa jamais vai passar, então vamos ficando mais tristes, desanimados, podendo até cair na temida depressão.

Mas há algo que pouco de nós tomamos consciência, da nossa grande capacidade de enfrentamento, se em um primeiro instante parece que o mundo desaba na nossa cabeça, quando conseguimos por um segundo nos distanciar um pouco de determinada situação, esperar a poeira baixar, não agir no impulso, respirar profunda e lentamente, a impressão é de que nada é tão horrível, nessa hora nos conectamos com a chamada força interior, algo que pulsa em nós para empurrar-nos para frente. Mas o que é essa sensação? Simplesmente nossa essência a gritar, porque todos temos o poder de vencer qualquer dilema, basta não ter medo. O medo nos paralisa e atrapalha.

Nem Sempre Zen – “vem a procura pela natureza, por abraçar uma árvore, brincar com meus animais, comer uma coisa gostosa, ver um filme bom e rezar

Pois é dessa maneira que eu encaro meus fantasmas. Surto claro nesse primeiro instante pois longe estou ainda de um equilíbrio completamente zen, estou em busca dê, tento e já consegui ultrapassar muitos momentos pesados, descobri nessas horas o quanto consigo resistir e aguentar a dor, a tristeza, a angústia por conseguir compreender que aquilo ali vai de algum modo passar, afinal nada dura para sempre. Na certeza de que no fim tudo acaba bem, se ainda não acabou bem é porque não está no final.

Renascer das cinzas

Então como uma fênix eu renasço das cinzas, depois de muito choro (porque chorar é preciso!) e supero meu momento “nem sempre zen” fazendo uma coisa bem simples: me mimar. Sim, eu me mimo. Me acolho, me acarinho, converso comigo e digo: calma criatura, confia no Universo, tu és uma pessoa boa, isso é só um aprendizado, o que tu deves aprender com isso? Onde anda tua fé? Aquela que tu pregas aos 4 ventos? E depois dessa conversa amigável, eu percebo que sim devo, necessito urgente usar a minha crença, o recado que vem do fundo do coração e me diz: agradece a oportunidade da lição, pede coragem e luz aos teus anjos amigos, amparadores, confia e espera.

A partir dessa nova etapa, vem o domínio da dor, vem o desejo de lutar para logo terminar com esse clima denso, vem a meditação que sereniza, centraliza e me dá um ganho maior, vem a procura pela natureza, por abraçar uma árvore, brincar com meus animais, comer uma coisa gostosa, ver um filme bom e rezar. Rezar consola e fortalece, entrego a Deus e com muita fé digo: Que seja feita a Tua vontade. Uso de todos esses recursos para cercar-me de tudo que possa me animar, me salvar, me trazer de volta ao eixo. O nome disso é fé!


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