Nem Sempre Zen

Desenvolvimento Pessoal & Espiritualidade by Patrícia Zen

Nem Sempre Zen

As ironias da vida

Sobre ser introvertido.

Esta é, talvez, a “Parte 1” de muitas outras sobre as ironias da vida – porque são realmente muitas!

 

A envergonhada – nome cientifico:  bicho-do-mato

 

Quando eu era miúda, as pessoas diziam que eu era muito envergonhada. O psicólogo do colégio recomendou que os meus pais me pusessem a fazer desportos de equipa para eu socializar mais.

Mas eu nunca tive problemas em socializar, simplesmente não o fazia com toda a gente. Eu era só uma criança muito selectiva, calada, metida consigo mesma e com os livros mas que também sempre teve amigos com quem gostava de estar, de brincar.

Na adolescência passei por aquela fase mais “parva”, como tantos outros adolescentes, de só gostar de sair de casa ao fim do dia, quando havia menos gente na rua. Tapava a cara com os cabelos, que na altura eram muito compridos e andava sempre cabisbaixa, tentanto evitar encontros com vizinhos ou professores.

 

Nem Sempre Zen – Fui sempre uma criança muito selectiva, calada, metida consigo mesma e com os livros mas que também sempre teve amigos com quem gostava de estar, de brincar.

 

Sempre fui rotulada de “envergonhada” e “bicho do mato” e assumi para mim que era assim e pronto.

Nunca ninguém me aceitou como eu era, a conversa era sempre “tens de mudar esse feitio, assim não vais a lado nenhum” – obrigada pais pelo vosso imenso incentivo para fazer de mim uma pessoa mais confiante ——> sim, isto também é ironia.

 

 

Ser introvertido

 

Até que aprendi que havia pessoas introvertidas e percebi que era isso que eu era.

Não havia nenhum problema comigo, eu era perfeitamente normal, só diferente em termos de reacção e de expressão das emoções, comparativamente a outras pessoas.

Não é fácil, primeiro, assumir que se é e depois deixar de fazer comparações. Mas esse é o caminho. Lá volto eu ao tema de abraçar o lado menos brilhante das nossas vidas mas é a mais pura verdade! Eu sou assim, deal with it.

Isto tudo veio-me à ideia porque só nos últimos anos é que eu tenho estado a abrir os olhos para o mundo e a, literalmente, levantar a cabeça e olhar as pessoas nos olhos como se tivesse estado fechada num bunker durante 15 anos, como a Kimmy Schmidt, e quisesse agora compensar o tempo perdido.

 

Nem Sempre Zen – Unbreakable Kimmy Schmidt (Netflix)

 

E a ironia é….

 

… o momento em que eu levanto os olhos para observar o que me rodeia e para olhar o outro ser humano nos olhos, é quando eles, “os outros” seres humanos andam cabisbaixos, de olhos postos no chão… bom, no chão não, no telemóvel.

Já não falo dos transportes públicos (há que passar o tempo de alguma forma, não é?…) mas já viram bem que as pessoas a andar na rua nem olham para cima?

 

Nem Sempre Zen – Olhos sempre no telemóvel

 

E a atravessar as passadeiras?

E nos parques enquantos os filhos brincam nos baloiços?

E nos restaurantes, a almoçar com a família?

E no cinema?

 

Sim…. Claro que já repararam, a não ser que também vocês não tirem os olhos dos ecrãs!

 

 

Nem Sempre Zen – smombies

 

Pesquisas recentes indicam que atualmente as pessoas consultam os seus dispositivos móveis (telemóveis) até 150 vezes por dia. O que em outra perspectiva consumiriam quatros 4 horas por dia, com o pescoço torto para baixo.

 

Consciente do aumento de smombies na cidade, a câmara da Amadora decidiu instalar um sistema luminoso pioneiro em Portugal, que conjuga os semáforos colocados em postes a faixas luminosas instaladas no chão. A luz varia entre o verde o vermelho, tal como no sistema tradicional, e serve principalmente para aqueles cuja posição mais comum é cabeça baixa, com os olhos no telemóvel.

 

Para finalizar, devo referir que não pretendo falar dos smombies com tom critico. Quando eu fui adolescente ter-me-ia dado jeito esconder a cara num telemóvel.

Actualmente simplesmente tenho pena de que, agora que ando de cabeça levantada e olhos abertos, atentos ao mundo, tenho mais dificuldade em cruzar-me com uns olhos que me digam “olá, eu também ESTOU aqui”.

 

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