Nem Sempre Zen

Ferramentas de Autoconhecimento e Desenvolvimento Pessoal by Patrícia Zen

Nem Sempre Zen
Browsing:

Mês: Dezembro 2018

Feliz 2019!

Que na nossa vida haja sempre lugar para:

  • Sonhar em ir mais longe e motivação para o fazer;
  • Sentir alegria de viver mesmo quando atravessamos dificuldades;
  • Ver a beleza no mundo que nos rodeia;
  • Ter paciência para com aqueles que nos irritam, lembrando que estes são os nossos melhores mestres;
  • Sermos livres e independentes;
  • Nunca perder a esperança;
  • Ser feliz e oferecer felicidade;
  • Amar e ser amado!

Abraço companheiro,

Patrícia (nem sempre) Zen


Noite longa

Nem Sempre Zen – Noite Longa

Noite longa

Tão longa quanto as noites mal dormidas

Tão densa quanto a minha aflição e tão escura quanto a minha alma

Tão penetrante quanto o meu coração, que sente e anseia

Mas que não se perde nem se desespera em meio à dor e à tristeza

Na esperança do Sol que o recupera

Sol que nasce da Deusa Mãe, é um presente da natureza que nos abençoa

Celebro Yule de coração aberto, convicta de um amanhecer luminoso

A verdade está na Terra que nos ensina o recolher e o renascer, o semear e o colher

Basta escutar a sua voz carinhosa que sussurra no vento

Deusa Mãe, terra abençoada, honro-te com uma simples vela branca, símbolo de pureza

E agradeço-te a orientação e a luz que me ilumina o caminho através da noite mais longa do ano


Sobre o Yule (e mais uma meditação!)

Nem Sempre Zen – It’s Yule time!

Amanhã celebramos o Solstício de Inverno.

Neste dia atingimos a noite mais longa e mais escura do ano.

Nós, ocidentais, que crescemos na tradição cristã, conhecemos esta data como Natal, altura em que nasceu o Salvador.

No entanto, qualquer celebração que se faça actualmente, tem origens muito mais antigas do que se imagina.

Este ano vou comemorar o Yule como eu entendo que deveria ser sempre.

Natal e desafios

Não vou escapar ao jantar “de NATAL” em família e à troca de prendas (para mim desnecessária).

Não vou escapar ao almoço “de NATAL” e às conversas sobre política, greves, desgraças e discussão sobre quem está mais doente e quem fez os melhores doces. Clássico! eheheh

Mas até tudo isso tem o seu charme! Afinal de contas é uma bênção ter uma família –ainda que emprestada – e comida na mesa. Mas este ano levo no coração uma mensagem de paz, de reverência à natureza.

No Yule o Sol aproxima-se da terra – ou nós estamos mais próximos do sol (?) – e comemora-se o nascimento (simbólico) do novo Deus Sol.

Significa que renascemos da escuridão. Observámos as nossas sombras, enfrentámos os nossos medos e dificuldades e estamos preparados para o período de recolhimento que nos irá conduzir daqui a uns meses ao florescer na Primavera.

Há esperança, apesar das lutas e há confiança, apesar dos abalos.

Há sempre um “se” e um “apesar de”. Tudo faz parte da nossa existência. A diferença está na forma como encaramos as batalhas. Hoje mais fortes que ontem.

Meditação (Lua cheia)

Nem Sempre Zen – Dia 22 faremos a última meditação do ano, na Lua Cheia

Sábado, dia 22 de Dezembro é noite de lua cheia, por isso mesmo vou fazer uma meditação, por volta das 21 horas. Será a ultima meditação do ano nesta fase da lua.

Convido-te a meditar comigo no sábado à noite, no teu espaço, como for mais conveniente para ti.

Vamos celebrar o nosso renascimento das trevas e reverenciar o sol, a nossa luz interna que nos impele para respirar fundo e agarrarmo-nos à vida com todas as forças.

Juntas-te a mim nesta meditação?

Feliz YULE!


Cartas que nunca te escrevi

Eu gostava que esta carta por escrever fosse uma carta de amor…

… mas não é.

Não vou fazer aqui a descrição de uma qualquer novela mexicana mas para mim, pessoalmente é muito importante escrever sobre o meu pai e o perdão.

Nem Sempre Zen – Cartas que nunca te escrevi

Os meus pais divorciaram-se. A minha mãe ficou sozinha, desempregada, com uma filha adolescente para aturar. O pacote completo.

O meu pai simplesmente desapareceu da minha vida, sabe-se lá porquê e ao longo de mais de 20 anos nunca me tentou contactar.

Eu nem nunca fui “má” para ele que o possa ter ofendido. Nem tinha de ser, nem ele tinha de ficar ofendido, se tivesse sido esse o caso porque eu tinha 16 anos e o assunto [do fim do casamento deles] não era comigo, eu era “só” filha.

Não vou falar do quanto ele me prejudicou. Nem ele, se ainda for vivo, terá noção do estrago que fez na minha vida.

Mas vou falar daquilo que ele poderá ter perdido como pai.

  • Não viu a filha completar o ensino secundário sem nunca ter chumbado.
  • Não viu a filha tirar do seu tempo para ser voluntária e ajudar pessoas com necessidades.
  • Não a viu conseguir um emprego e mantê-lo, apesar das imensas dificuldades porque passou, por falta de experiência e orientação.
  • Não viu a filha fazer o exame teórico de condução sem falhar uma resposta e passar na condução logo à primeira.
  • Não a viu quando ela viajou para a Escócia e regressou cheia de fotografias e sonhos.
  • Não a viu, super feliz, na primeira fila do Rock in Rio em 2006.
  • Não a viu entrar para a universidade aos 28 anos, por mérito próprio.
  • Não a viu concluir o mestrado com uma dissertação classificada com 19 valores.
  • Não teve o prazer de beber uma cerveja com ela numa quente tarde de verão.
  • Não comemorou com ela os 20, os 30 e nem os 40 anos.
  • Não conheceu o seu grande amor, aquele homem que veio a mostrar-lhe o que é ser uma pessoa de carácter.
  • Não a viu tornar-se uma pessoa honesta, confiante, com sentido de humor, feliz e cheia de amor para dar.

Julgo que o meu pai não se lembrará de mim

… nem do rosto nem da pessoa que eu era. E mesmo que que se lembrasse, seria apenas uma recordação de alguém que já não sou porque eu mudei muito, em todos os sentidos.

De qualquer forma, é por isso que também não o procuro. Mais de 20 anos depois tenho a certeza de que ele, se tiver sido inteligente, também terá mudado e assim sendo, nem ele me conhece nem eu o conheço.

Durante muitos anos culpei o meu pai pela relação complicada que tinha com a minha mãe (que coitada, teve de aguentar o barco sozinha, totalmente desamparada), culpei-o por não conseguir olhar os homens com respeito, por ter perdido a qualidade de vida que tinha tido até então e por não ter podido ir para a universidade aos 17 anos quando todos os meus colegas foram.

Nem Sempre Zen – Afinal, apesar de tudo, eu dei a volta por cima

Perdão

Hoje em dia não guardo rancor e acabei por, de certa forma, o perdoar porque afinal de contas ele não era o culpado de nada.

Era eu, que pensava que não era capaz. As suas acções, no fim da história, não me limitaram.

Eu dei a volta por cima e consegui fazer tudo aquilo que a sua ausência inicialmente me negou.

Ele nunca vai saber como eu sou forte.

Mas eu sei.


Damien Echols – Como vencer uma morte anunciada

Damien Echols foi uma das razões porque comecei a investigar alguns temas relacionados com magia (*) e filosofia hermética.

E se este nome não te diz nada, pesquisa. Mas cuidado, podes acabar por te apaixonar pela tremenda força e perseverança deste homem.

 

Magick saved my life. Magick was the only thing in prison that gave my life purpose and kept me sane. Magick was the only thing I had to protect myself with.

Damien Echols

 

Nem Sempre Zen – Damien Echols e Jonnhy Depp (fotografia de Tamir Kalifa para o New York Times)

 

 

The West Memphis Three

 

A sua história é sobejamente conhecida.

A viver no estado do Arkansas, nos EUA, Damien Echols era um jovem que gostava de ouvir heavy metal, lia livros sobre ocultismo e vestia-se de preto.

Por causa disso – sim, sem exagero, por causa disso – aos 18 anos foi acusado da morte de 3 rapazes, brutalmente assassinados alegadamente na sequência de um ritual satânico.

Damien foi preso juntamente com outros dois jovens mas apenas ele foi condenado à morte.

O caso teve repercussões a nível nacional internacional.

Artistas como Jonnhy Depp, Eddie Vedder (Pearl Jam) e Peter Jackson (realizador da trilogia “O Senhor dos Aneis”) foram incansáveis no apoio ao jovem para que a verdade sobre o caso fosse desvendada.

 

 

Damien Echols

 

Damien Echols esteve quase 20 anos no corredor da morte, nos EUA (where else?!…) e durante esse tempo lutou pela sua sanidade mental agarrando-se aos livros e invocando anjos, entoando mantras e desenhando formas geométricas sagradas.

Na prisão conheceu várias pessoas, entre presos e visitas desses presos, que lhe trouxeram novas perspectivas da vida.

Dedicou-se ao estudo, tornou-se sacerdote/monge e conheceu e casou com a mulher que o tem ajudado a provar a sua inocência, Lorri Davis, protagonizando uma extraordinária história de amor.

 

Nem Sempre Zen – Damien Echols e Lorri Davies

 

Damien foi privado do contacto com outros seres humanos durante muitos anos, confinado a uma solitária, sempre consciente de que um dia qualquer poderia ser morto.

 

 

O seu crime? Ser “diferente”

 

Há uns tempos fiz binge watching da série “I am a Killer” sobre detidos, condenados à pena de morte em cadeias norte americanas.

Todos eles, de alguma forma, assumem os crimes que cometeram.

Comecei a série a chorar com pena, passei pela fase de “coitado, se a tua vida tivesse sido diferente..” até ao fim em que já só pensava “este homem é uma merda de ser humano…”

Mas o Damien Echols não está em nenhuma dessas situações. O seu único crime foi gostar de bandas de heavy metal, ler livros do Aleister Crowley e vestir-se de preto numa cidade religiosa, preconceituosa e ignorante.

Damien foi libertado da prisão em 2011, no seguimento de um acordo feito com as autoridades.

Apesar de naturalmente ter sofrido de stress pós traumático e ansiedade social após a sua libertação, Damien não se tornou aquilo que tão facilmente poderíamos esperar de um homem nestas condições.

 

 

High Magick

 

 

I’m not here to tell you what to believe and I’m not here to convert anyone. I’m here to share what has worked for me through thick and thin, today as a free man and during those years I spent in hell.

Damien Echols

 

Damien Echols lançou em Novembro um livro sobre Alta Magia, entitulado precisamente “High Magick“, com prefácio do músico Eddie Vedder, uma das muitas personalidades públicas que sempre apoiou a causa de Damien e da sua esposa Lorri.

 

O livro chegou cá a casa recentemente e eu estou a ler devagar, a sorver toda a informação com um tremendo prazer.

A temática do livro daria um outro artigo – e seria preciso alguma pesquisa mais aprofundada da minha parte (se alguém estiver interessado faça-me a referência que eu depois trabalharei nisso com todo o gosto).

Para já quero apenas fazer a referência à brutal coragem e força de espírito deste homem que se dedicou a estudar e a praticar uma arte tão antiga e misteriosa (ou nem tanto assim) que lhe deu as ferramentas para acreditar que a sua causa seria resolvida muito antes da execução da sua sentença de morte.

O objectivo de Damien com a publicação deste livro é de partilhar o que aprendeu. Tornar mais simples e acessível um conhecimento ancestral que, no fim das contas, pode ser aplicado ao nosso dia-a-dia e …caramba, até salvar vidas! Como salvou a sua.

 

 

Ser ou não “a vítima”

 

São estas e outras historias semelhantes que me fazem pensar que realmente há quem lute e há quem se faça de vitima.

Teria sido tão fácil este homem descambar…

Estudos realizados com sobreviventes do Holocausto, referem que muitos conseguiram sobreviver devido à sua atitude em recusar o papel de vítima.

 

 

Your attitude is a vital factor in determining whether you will survive or perish, succeed or fail in life.

Viktor Frankl contended that many of the survivors of German concentration camps were able to endure because they refused to give in to feeling victimized.

Instead, although stripped of all their rights and possessions, they used one remaining freedom to sustain their spirit; the freedom to choose what attitude or position they would take in relation to the horror they faced.

“It was the freedom to bear oneself ‘this way or that,’ and there was a ‘this or that'”.

In Psycholoy Today “Don’t play the victim game

 

E tu, o que achas que farias estando na pele dele?

 

 

(*) magick, no sentido mais esotérico do termo e não magic associada a prestidigitadores


error: