Nem Sempre Zen

Shadow Work: I see Beauty in Darkness | Desenvolvimento Pessoal & Autoconhecimento

Nem Sempre Zen

Contos de Fadas, a magia da imaginação

Eu cresci com histórias de encantar

 

A minha mãe contava-me histórias para dormir, os primeiros livros que tive eram contos de fadas, depois os meus pais continuaram a comprar-me coleções desse género. Eu escutava repetidamente os discos de 45 rpm com as histórias do Capuchinho Vermelho, do João e o Pé de Feijão, do Gato das Botas e não perdia um episódio do Sitio do Pica Pau Amarelo.

 

Na casa da minha amiga, onde eu passava férias descobri livros de contos russos e húngaros e mais tarde descobri os contos de encantar através da música clássica. Hoje dei por mim a ouvir a minha peça favorita: Scheherazade, do compositor russo Rimksy-Korsakoff. E lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que a ouvi, com quem estava e onde estava, há uns bons vinte e muitos anos atrás. A música fez-me embarcar numa viagem até ao passado e é curioso, eu apaixonada pela magia das histórias, por contos de encantar, estou presentemente a estudar narrativas de contos de fadas.

 

A vida leva-nos sempre de volta ao nosso lugar, não é verdade?

(continua depois da foto…)

 

Scheherazade por Sophie Anderson

 

As mil e uma noites

 

A ideia base do conto de Scheherazade é absolutamente maravilhosa: uma mulher que tentar escapar de ser executada, contando histórias ao Rei, seu marido, mantendo o suspense noite após noite, deixando-o curioso à espera do dia seguinte para saber o desfecho daquela aventura. Durante mil e uma noite, a mulher cativou a atenção do Rei, acabando por fim, por salvar a sua própria vida e fazendo com que o Rei se apaixonasse verdadeiramente por ela.

Quem sabe se eu não sou como o Rei Shahryar – a quem Scheherazade enfeitiça com as suas palavras – querendo saber o fim da história, procurando voltar a uma infância de descoberta, de encantamento com a vida, antes de ter percebido a dura realidade mas ao mesmo tempo querendo esperar pela noite seguinte para saber o que mais vai acontecer, que aventuras vão viver, que perigos vão ultrapassar e que destino terão os heróis … que destino terei eu, na minha própria história de encantar.

 

 

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Submundo


O submundo é para mim uma metáfora sobre enfrentar as trevas da vida: é descer ao fundo de ti e reconheceres as situações da vida que te abatem, as decisões que não consegues tomar, a submissão, a preguiça, a vitimização, a auto comiseração, o medo, os ciúmes, a incapacidade de lidar com os problemas, a ingenuidade, a raiva e por ai vai.

O submundo é para mim uma metáfora sobre enfrentar as trevas da vida

 

Estar no submundo

Estar no “submundo” sempre foi cómodo para mim, é onde me sinto confortável – gosto de me conhecer, de perceber os porquês (meus e dos outros) e sinto-me confortável no meu sofrimento porque o conheço bem, porque as minhas lágrimas consolam-me e aquecem-me o coração Mas talvez por isso houvesse a necessidade de tornar aquele útero aconchegante, num real inferno emocional que me abanasse e me engolisse. O submundo deverá ser lugar de passagem, não de permanência.
 
 

Consciência desperta

 
Ver e sentir essa minha escuridão da alma com a consciência desperta fez toda a diferença.  É duro ter os olhos abertos e ver.
De repente alcanço mais além, conheço melhor a minha sombra, leio melhor os outros, confio mais na minha intuição e tenho noção de tudo o que preciso fazer para mudar e tudo isso traz responsabilidade.
 
 
A responsabilidade de perceber que preciso ter coragem e disciplina, de que necessito mudar a minha relação comigo mesma e com o mundo e que tenho mesmo de deixar de procrastinar e passar à acção.
De repente vejo-me e reconheço-me na minha humanidade. Aceito o que preciso transformar, comprometo-me a mudar e simultaneamente aceito o que sou.


 
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O início da minha transformação pessoal

Ou de como fui de católica a protestante e de agnóstica a qualquer coisa que não sei o que é mas é bonito.

Fiz a escola primária num colégio de freiras, não por motivos religiosos mas porque os meus pais acharam que ali teria a melhor educação – e foi, a professora que nos acompanhou era espectacular!

Por estar nesse ambiente, era obrigada a frequentar missas e outras celebrações religiosas. Nunca me assumi católica mas o aspecto espiritual das histórias e o recolhimento no silêncio da igreja fascinava-me.

Mais tarde, na adolescência descobri o protestantismo através da incursão numa igreja evangélica. Trabalhei lá durante cerca de 5 anos como voluntária e pensei seriamente que tinha encontrado o meu propósito de vida: servir o outro.

Mas ali, o servir o outro vinha acompanhado de coisas como impingir objectos e ideias que supostamente fortaleciam a fé da pessoa. Isso era contrário às minhas crenças pessoais. No meu trabalho sempre incentivei as pessoas a não se agarrarem a objectos ou à necessidade de “fazer para receber”.

Por isso sai de lá, de consciência tranquila.

Apesar disso continuei a acreditar em deus, até ir para a universidade.

Com a Psicologia e as Neurociências em particular, percebi que tudo está no nosso cérebro: a inteligência, o amor, a paz e as crenças. A motricidade, a fala, a consciência, tudo é produto de uma amálgama esponjosa delicadamente alojada na nossa caixa craniana.

E foi nessa altura que me assumi agnóstica. Não acreditava em deuses mas também não podia provar a sua inexistência.

O reencontro com a minha espiritualidade deu-se uns 15 anos mais tarde.

Tudo começou com uma meditação xamânica... Nessa meditação tive uma visão avassaladora do animal de poder que me acompanhava naquele momento. Levei meses a digerir aquilo!

Seguiu-se mais tarde uma leitura de cartas de Tarot, que me tirou as dúvidas e me sugeriu ferramentas para trabalhar.

Assim fiz. Tudo mudou a partir dai.

Não houve uma inspiração divina e aqui estou iluminada. Houve sim muito trabalho de pesquisa, de estudo, de introspecção.

Depois veio a leitura da aura… No final desta leitura, fui a conduzir de Sagres para Portimão como se estivesse a pilotar uma nave especial, contornando aquelas dezenas de rotundas como se fossem sistemas planetários distantes, entre o fascínio do “primeiro contacto”, a descoberta de mundos novos e o conhecimento profundo de cada constelação de estrelas.

Até que, no início de 2019 vieram as provações, o estado de graça afundou-me nas sombras, tempo de as enfrentar à séria.

Momento de “cair na real” e perceber que eu sou uma Wonder Woman mas sem o glamour de andar com uma espada à tiracolo a fazer acrobacias para liquidar os meus inimigos.

Era bom! Mas é fantasia.

Esta foi a minha caminhada em direcção a uma transformação pessoal.

Nada do que vivemos e sentimos é por acaso, pelo menos é nisto que eu acredito.

Detesto impingir ideias e os tempos de “evangelização” já lá vão há muitos, muitos anos.

Hoje partilho as minhas experiências para ajudar outros a perceber que existem formas saudáveis e empoderadoras de ultrapassar maus momentos na vida ou crises pessoais.

Aquela derrocada emocional que me atingiu no inicio de 2019 fez-me crescer tanto, tanto!

Todo o ano foi por si mesmo super desafiante mas também nunca na minha vida me senti tão segura de mim, mesmo com falhas e imperfeições, eu conheço-me e gosto de mim.

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Respeito

Ao ver um evento de dança terapêutica, reparei na forma como as pessoas se moviam.
Uns rodopiavam sobre si mesmos, outros saltitavam e exploravam todos os cantos da sala, outros simplesmente ocupavam o espaço dos restantes participantes, impondo o movimento histérico do seu corpo na bolha do outro.

 

Assim são as pessoas na vida, nas redes sociais. Uns fazem o seu trabalho de forma organizada, focada e discreta, resguardando-se, sendo amável para com todos, outros fazem questão de se posicionar em bicos de pés para serem (bem) vistos e afirmar quão sábios são.

Se há coisa que me perturba é a invasão do espaço alheio, seja quando estou a assistir a um concerto e os matulões se metem à minha frente para dar a vista às namoradas (eu com 1,60 não me safo la muito bem né?), seja num transporte publico quando traçam as pernas que ficam a bater nas tuas, seja numa reunião que estás a conduzir e alguém insiste em interromper-te para “meter a colher” sem te deixar “vender o teu peixe” até ao fim ou mesmo nas redes sociais quando invadem o teu espaço para mandar bitaites sobre o quanto eles mesmos são bons e já viram e aconteceram.

 

Da mesma maneira que me perturbam os condutores que não fazem piscas (anda muita gente ai com bons carros mas coitados, sem piscas, que tragédia, foram enganados) porque isso significa que estás a borrifar-te para os outros. Se eu viro à esquerda ou à direita e não assinalo é porque me estou a cagar para ti que vens atrás de mim ou para o peão que não sabe se há-de atravessar a estrada ou ficar quieto.

 

 

Se estou no balcão do café e ocupo metade desse espaço com a minha carteira, telemóvel, chaves de carro, jornal, óculos de sol E café, estou-me a cagar para ti que estás amarfanhado a um cantinho a bebericar o teu café com os braços junto ao corpo porque espaço, esquece…

 

Se vou à tua conta de instagram comentar um comentário, passo a redundância, de outra pessoa e não comento o essencial do que o outro escreveu no seu post, estou a cagar-me para a mensagem principal e para quem escreveu.

 

Se eu atravesso as passadeiras na diagonal e não me desvio quando fico frente a frente a ti e ponho-te em risco de levares com um carro em cima, estou a cagar-me pra ti.

 

Respeito pelo outro. É o que eu sinto que falta na sociedade.

Os médicos e professores, entre tantos outros profissionais, são alvo de agressões simplesmente porque falta o respeito.

 

Quando eu me expresso, imaginemos que a dançar, tenho liberdade de me mover por toda a sala, fazer movimentos convulsivos, bater o pé ou rodopiar mas não tenho o direito de te desrespeitar e invadir o teu espaço, a tua performance, a tua concentração e foco, o teu momento.

 

(peço desculpa por um palavreado menos “próprio” mas só assim conseguiria expressar-me neste texto)

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Isto não é a realidade

Hoje tive um sonho.
Era como se estivesse dentro de um jogo de computador.

Eu e a minha equipa éramos reféns de um grupo de monstros/fantasmas que tentavam iludir-nos e fazer-nos cair nas suas armadilhas por via de uns desafios que precisávamos completar.

Não estávamos presos mas era como se estivéssemos.

 

O centro de tudo

Um dos castigos infligidos a quem perdia os desafios era definhar à fome, em público, até se verem as entranhas. Ao invés das costelas que ficam visíveis quando o corpo emagrece demasiado, aqui eram os nossos orgãos internos, do centro do corpo.

O centro de tudo no nosso corpo está relacionado com os nossos medos, o nosso poder pessoal, então é fácil perceber que estes fantasmas/monstros na pele de nossos carcereiros, queriam intimidar-nos a ponto de perdermos a nossa confiança e auto estima.

Não só isso nos enfraquece como nos torna vulneráveis face à humilhação a que se era sujeito, ao vermos as nossas fraquezas serem expostas perante os nossos pares.

No final do sonho, lembro-me de que eu era a última a passar por uma série de desafios, a la hunger games. Então o meu pensamento naquela altura era:  vou passar pelo meio da praça, levantar a cabeça, encher o peito e mandar a mensagem aos meus carrascos:

Vejam bem onde estão os meus olhos: aqui em cima! Eu estou cheia de medo mas isto não é a realidade, por isso vou passar e vou vencer!”

Com medo mas de cabeça erguida

Sempre que, na vida real, me sinto assim, lembro-me sempre da expressão da Uma Thurman no filme Kill Bil, na cena da batalha na House of the Blue Leaves… a forma dominante e segura como ela pega na espada contrasta com o olhar que varia entre o terror e o sentimento de “fuck it, I’m gonna do this“.

https://www.youtube.com/watch?v=fWqnZTTRkm4

De uma forma resumida, esta personagem (eu, no meu sonho; a Beatrix Kiddo, no Kill Bill) sou eu, és tu e tantas outras pessoas a passarmos pela vida: de espada na mão, prontos para a batalha, sozinhos, com medo e vulneráveis mas de cabeça erguida.

Os desafios realmente são muitos e tantas vezes quebram-nos o espírito, tentam fazer-nos sentir fracos e impotentes mas… isto não é a realidade.

A realidade somos nós que a criamos.

Não é preciso ter vergonha de sentir coisas supostamente “menos nobres” como frustração, irritações ou mesmo o medo. Todas emoções e os sentimentos que vivemos servem para nos trazer lições.

Há que continuar a caminhar, passo a passo.

O que vem a seguir a um passo? Outro passo. E outro e outro. E assim seguimos viagem.

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